Dermatite Alérgica a Picada de Pulgas – DAPP

Written by: Perla Lembi Date of published: .

A DAPP (dermatite alérgica a picada de pulgas) é uma doença alérgica provocada pela saliva da pulga que é inoculada no animal no momento da picada. A saliva da pulga nesses animais é a responsável por desencadear a reação de hipersensibilidade, pois nela existem vários componentes antigênicos (substancias que estimulam a produção de anticorpos). Qualquer animal seja cão ou gato, macho ou fêmea, pode desenvolver a doença, desde que possua hipersensibilidade. A idade mais comum para o surgimento dos primeiros sintomas é entre 1 e 5 anos, podendo haver piora ou melhora com o envelhecimento.


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A doença pode ser desencadeada pela picada de uma única pulga, sendo assim, o surgimento dos sintomas independente do grau de infestação, o que justifica muitas vezes o proprietário relatar que não encontrou nenhuma pulga no animal.É importante destacar que a presença de pulgas nos animais não tem relação com hábitos de higiene e pode ocorrer mesmo em animais que recebem cuidados adequados e até rigorosos por parte de seus proprietários.

 

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Os sinais clínicos de DAPP surgem de forma diferente no cão e no gato. Os cães apresentam prurido (coceira) de moderada a intensa, que se manifesta sob a forma de morder, coçar e esfregar-se no chão. Apresentam escoriações e crostas em função do ato de coçar, falha na pelagem e até alopecia (ausência de pelo) e pele ruborizada localizadas predominantemente na região lombar e na base da cauda. Os gatos podem lamber-se em exagero ou arrancar os próprios pelos, apresentando falta de pelo nos flancos e no dorso. Podem ainda desenvolver pequenas crostas vermelhas no dorso. Esse tipo de padrão de lesões que o gato desenvolve é denominado dermatite miliar.
O diagnóstico da DAPP deve ser feito pelo médico veterinário dermatologista após a obtenção de toda a história clínica do animal e um completo exame físico.

Inicialmente, é preciso controlar a infestação dos parasitas no animal e também no ambiente. Existem diversos produtos disponíveis no mercado para tal finalidade, mas a regra é: “NÃO ADIANTA TRATAR APENAS O ANIMAL, É imageINDISPENSÁVEL TRATAR O AMBIENTE”. As pulgas presentes na pelagem do animal representam apenas 5% da infestação que está presente no ambiente que o rodeia. Os outros 95% consistem em ovos, larvas e pupas “invisíveis”. Este é o principal motivo pelo qual as infestações de pulgas são tão difíceis de controlar. Para um adequado controle de x, é importante ter em mente esses fatores “invisíveis”. Portanto, o tratamento deve focar três pontos:
• Eliminar as pulgas presentes no animal (5%)
• Eliminar os elementos “invisíveis”: ovos, larvas e pupas (95%)
• Prevenir reinfestações
O completo controle das pulgas exige tratar o animal afetado e todos os animais que o rodeiam. Assim, torna-se importante a adoção de algumas medidas:
· Aspirar todos os tapetes, carpetes, sofás, cortinas, etc., tendo particular atenção aos locais mais frequentados pelo animal.
· Lavar todas as mantas, camas, almofadas, etc., onde o seu animal dorme, com água bem quente .
· Ter especial atenção aos locais onde há frechas ou ranhuras, rodapés, atrás dos sofás, da geladeira, máquina de lavar e, em geral, nos locais mais difíceis de passar o aspirador.
Concomitante ao controle das pulgas, o médico veterinário dermatologista poderá prescrever um tratamento para controle e alívio da coceira, bem como outros medicamentos para infecções secundárias que possam estar associadas.
No inverno existe uma tendência a uma menor preocupação com relação ao uso de produtos antipulgas. Animais com DAPP desenvolvem todos os sintomas da alergia após uma única picada de pulga, por isso é determinante que eles estejam protegidos contra pulgas durante todos os meses do ano, incluindo os meses mais frios. Produtos antipulgas devem ser aplicados no animal a cada 28 a 30 dias para que as dermatites alérgicas a picadas de pulgas sejam controladas.
A DAPP não tem cura, mas com manejo correto e constante é possível controlar com sucesso!